Cerca de 50 artigos meus foram publicados por esta revista. Na maioria, abordei temas referentes à administração pública, enfatizando a precariedade da aplicação da gestão em várias esferas de poder. Dirigentes máximos conduziram o país como um navio à deriva, sem planejamento, metas e controles orçamentários. Haja vista as refinarias da Petrobras, que já consumiram somas impensáveis e estão longe de ser concluídas.

O descaso com a saúde e a educação, a irresponsabilidade na área da segurança (eu já fui submetido a um arrastão num prédio em que morava, e muitos integrantes da minha família já foram vítimas de outros graves episódios envolvendo segurança – um país em que morrem 42 mil pessoas/ano assassinadas só pode estar em guerra), a negligência com a infraestrutura (o desenvolvimento econômico está intimamente associado à infraestrutura e quase nada foi feito nos últimos anos), a corrupção endêmica, o gigantismo do estado e seu aparelhamento, que geram gastos exorbitantes e distorções, foram temas abordados e sobre os quais não podemos nos silenciar.

Recentemente, fui tomado de certo otimismo. Julgo que atingimos um ponto de inflexão. Concluí que, de agora em diante, as coisas devem mudar. Vejamos: 1 – A corrupção está recebendo duro golpe (embora perceba que há pessoas querendo torpedear o seu combate). 2 – Busca-se desatar o nó da infraestrutura com novas concessões. Com a queda dos preços das commodities e com a precariedade das rodovias e disponibilidade de portos, a exportação de grãos pode tornar-se deficitária. Torço para que novas concessões sejam feitas com urgência. Além de tudo, contribuirá para a geração de empregos e renda. Imaginem o atraso em que nos encontraríamos se não tivessem sido privatizadas as telecomunicações; e os altos prejuízos que continuariam sendo arcados pelos contribuintes se as siderúrgicas não tivessem sido alienadas. 3 – O agronegócio está em boas mãos; antecipo grande expansão neste campo, com aumento da produtividade e desenvolvimento de novas fronteiras agrícolas. 4 – Vejo com muito entusiasmo a possibilidade da aprovação da lei das terceirizações, o que certamente trará melhores relações capital-trabalho, embora alguns políticos estejam dificultando a sua aprovação. 5 – Daqui a 10 meses, começa vigorar o NCPC, o que desafogará a Justiça, que lida hoje com cerca de 95 milhões de processos. 6 – Vejo também com entusiasmo a diminuição do tamanho do estado, com a iniciativa da aprovação da lei que reduz o número de ministérios. Certamente, trará redução de despesas e possibilidade de uma melhor gestão na área federal. 7 – No que se refere à educação, saúde e segurança, julgo que os governantes terão que priorizar estas áreas. Depois de junho de 2013 e acontecimentos recentes, vejo que o povo não tolerará mais esse absurdo. Não sei se por meio de novas manifestações. Mas, certamente, encontrará outros mecanismos para repelir os incompetentes e irresponsáveis, talvez por meio do voto.

Tenho constatado que há perda do conhecimento de gestão nas empresas. A partir de 1986, treinamos centenas de milhares de executivos, gerentes e operadores. Várias empresas utilizaram os conhecimentos, os quais as ajudaram a se transformar em grupos multinacionais. Essas pessoas treinadas estão se aposentando e não são repostas. Difundimos um método científico de solução de problemas, de atingimento de metas e melhorias contínuas. Material didático, até então inexistente, foi produzido em temas essenciais. Hoje, quando nos referimos ao método científico, alguns desavisados dizem que é coisa ultrapassada. Ora, como um método científico desenvolvido em 1924, intensamente utilizado na recuperação do Japão, pode estar ultrapassado? Puro engano, continua plenamente em vigor. O que varia é o conjunto de ferramentas, a abordagem, para lidar com problemas mais complexos. Estamos atentos e dispostos a continuar na cruzada pela difusão e aplicação da gestão, nas áreas privada e pública. Os empresários têm que esquecer Brasília (o que vier de lá é lucro), pois há muito que fazer nas suas empresas em prol da melhoria da qualidade, da produtividade e do desenvolvimento do país.