Autor: José Martins de Godoy

O óbvio na educação

A educação no Brasil vai de mal a pior, apesar do que andam afirmando políticos mais interessados em se sustentarem no poder do que enfrentar os problemas reais do setor. Tudo em nossa educação nos parece óbvio, de fácil diagnóstico e de solução, embora demorada, única. Recentemente, a Fundação de Desenvolvimento Gerencial realizou o seu 5º Seminário de Melhores Práticas de Gestão Educacional, quando foram apresentadas e discutidas as experiências de 20 escolas parceiras que implementaram as práticas sugeridas, constantes da nossa estratégia Gestão Integrada da Escola (Gide). Estas escolas são o testemunho de que a gestão para resultados funciona muito bem no ambiente escolar, tanto é que várias delas já alcançaram metas propostas pelo IDEB para 202l. Um dos palestrantes do seminário foi o economista Gustavo Ioschpe, articulista da revista Veja, que apresentou dados e experiências que recolheu em suas inúmeras viagens ao exterior e ao interior do Brasil. São números alarmantes, que comprovam a nossa regressão em indicadores importantes, como repetência na 1ª série do ensino fundamental, capacidade de parte da população em entender um texto simples. Em outros, como a produtividade do trabalhador e competitividade do país são problemas que estão intimamente ligados à educação. Para muitos, a fala de Gustavo Ioschpe foi uma surpresa. Para mim, e para a equipe da fundação, nem tanto. Os números apresentados e as conclusões a partir deles estão em...

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Olhem os ipês floridos

Recentemente, fui a São João del Rei para o funeral de uma pessoa querida. Como acontece nestas circunstâncias, ficamos tristes não só pelo infausto acontecimento como também pela saudade de pais, irmãos, tios que já nos deixaram. No trajeto, a mente volta ao passado revivendo as lembranças, num clima de reflexão e recolhimento entre os viajantes. A natureza é bela e muito inspiradora, destacando montanhas, vales, bosques ainda preservados. Um encanto para quem a curte! Era agosto. Comecei a me distrair vendo os ipês floridos. Ao notar os primeiros foi um encantamento incontido. Ao longo da estrada, para minha surpresa e deleite, vi centenas de árvores, cada uma mais bela que a outra. Árvore é uma maneira de dizer, pois, na realidade, eram verdadeiros sóis espalhados pelos campos. Fiquei meditando: se estou maravilhado com a natureza e com os ipês, como deve ser o Paraíso. Certamente, algo indescritível. Ora, dona Marta, a pessoa querida que iríamos homenagear, orar e recomendá-la a Deus, era uma mulher valorosa, trabalhou incansavelmente durante sua vida, criou uma família maravilhosa, foi dedicada aos seus e ao próximo. Só poderia estar na glória de Deus. Se a nossa crença é a ressurreição dos mortos, não seria possível, para uma pessoa tão especial, ser de outra forma: aproveitar as delícias do Paraíso. Algo tão deslumbrante que não dá para comparar com as belezas vistas ao longo...

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Gentilezas divinas

Não existem coincidências. São gentilezas divinas, como assinala São Tomás de Aquino. Em 1985, a Fundação Christiano Otoni da EEUFMG foi contratada pela Secretaria de Tecnologia Industrial do Ministério da Indústria e do Comércio para elaborar um curso básico de gestão da qualidade e produtividade. No projeto teríamos que analisar o conhecimento que existia no exterior e no país, de forma que o curso a ser elaborado fosse atualizado e mostrasse a influência do assunto no desenvolvimento dos países enfocados. Os recursos do projeto permitiam contatos com especialistas de renome mundial, participar de cursos e seminários, contratar consultores para nos ajudar na tarefa, entre outras possibilidades, a fim de que o curso viesse a contribuir também para o desenvolvimento brasileiro. Eu fui o coordenador desse projeto e também um dos integrantes da equipe de nove pessoas encarregadas de conduzir o estudo. Assim, fui aos Estados Unidos, onde tive o privilégio, junto com Carlos Bottrel Coutinho, de assistir ao seminário de quatro dias do dr. W. E. Deming, grande autoridade no assunto, ao Japão e Coreia do Sul em busca de conhecimentos. No Japão e Coreia, participei de missão técnica brasileira, com mais 40 pessoas. A programação japonesa era conduzida pela União Japonesa de Cientistas e Engenheiros (Juse). Além das palestras e visitas a empresas, nosso objetivo era estabelecer contato institucional com a Juse. Na recepção da missão ficamos conhecendo...

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Pontualidade

Uma das coisas que culturalmente mais me incomodam no Brasil (agora não tanto, pois já caí na real) é a questão da não pontualidade. Em várias ocasiões fiz um esforço hercúleo para estar presente em certos eventos no horário e, às vezes, tive que esperar longo tempo para que se iniciassem. Sou incorrigível. Prometo a mim mesmo que na próxima oportunidade vou chegar pelo menos meia hora atrasado. Não aprendo. De novo lá estou eu. Também pudera. Fui formado por dois excepcionais gestores. Meu pai, fazendeiro, comerciante, reflorestador, me exigiu muito cedo assumir multitarefas. Tudo com prazos bem determinados. Foi ele para o céu no início deste ano, depois de 92 anos bem vividos. Fiquei na fazenda até os 15 anos. Em BH, para prosseguir os estudos, também comecei a trabalhar com meu tio Geraldo Godoy Castro, de quem tenho também muita saudade, logo no segundo dia. Ele contribuiu fortemente para a minha formação. Homem meticuloso, exigente, sabia motivar, elogiar e também apontar as falhas, sempre em particular. Depois destas experiências edificantes, em que responsabilidades, prazos, horários, tinham que ser assumidos, não poderia eu relaxar os meus procedimentos daí em diante. Além disso, passei por dois testes que aperfeiçoariam minha conduta: na Noruega e com especialistas japoneses (que nos assistiram na UFMG). Estava cursando o mestrado no Rio de Janeiro, quando obtive bolsa de estudos do governo norueguês para...

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