Autor: José Martins de Godoy

Perdemos o bonde da história

Parece que está definido: a China é a principal fábrica do mundo. Os Estados Unidos são o supermercado: produzem conhecimentos, tecnologias, produtos de alta tecnologia embutida, compram de todos e vendem de tudo. Ao Brasil resta o papel de exportador de commodities, minérios e alimentos, mesmo assim com muita dificuldade. Eu que o diga: meu projeto de irrigação na fazenda encontra todo tipo de entraves, atraso na entrega de equipamentos e materiais, falta de pessoal especializado para montagens, burocracias, demora na ligação de energia. Vai atrasar quase 1 ano. Muitos empresários brasileiros transferiram fábricas para a China. Lá os produtos são fabricados, colocadas as marcas e etiquetas e vendidos aqui como se fossem produzidos localmente. Trata-se de ampla gama de produtos. Segundo estudo da Fiesp, a participação industrial no PIB brasileiro em 2004 foi de 19,3%; em 2012, caiu para 13,3%, e pode atingir 9,3%, em 2029, se imperarem as mesmas condições. Nossa indústria está derretendo, não mais tem mercado por não ser competitiva. Relata ainda o estudo que todos os países que conseguiram dobrar a renda per capita, no intervalo de 10 a 20 anos, tinham participação industrial de 20% a 30% no PIB. Logo, a melhoria de renda do nosso povo está comprometida. Precisamos de um choque de produção, em que tenhamos produtos em abundância e de boa qualidade. Parece que a política é produzir pouco e...

Leia mais

Implementar a gestão é preciso

Os conceitos básicos de gestão são de uma simplicidade franciscana. Gerenciar é organizar os meios para atingir os fins, é também resolver problemas (maus resultados) ou ainda bater metas. Implica reconhecer o que são meios e fins. Por incrível que pareça, isso é um negócio difícil. Muita gente boa – que se diz gerente – faz uma tremenda confusão e passa a maior parte do tempo lidando com meios, sem conseguir os resultados para os quais a sua organização existe. Numa escola, aumentar a taxa de aprovação com bom aproveitamento e formar uma biblioteca: o que é fim e o que é meio? A escola existe para promover o ensino-aprendizagem (é a finalidade) e a biblioteca um meio (se bem utilizada, pode ajudar a obter melhor resultado). Metas são colocadas nos fins (combate aos maus resultados ou obtenção de melhorias) e nunca nos meios (causas de problemas ou alavancas de melhorias). Apesar de óbvio (só o gênio vê o óbvio, como disse Nelson Rodrigues), principalmente governantes, equivocados, dedicam a maior parte de uma gestão trabalhando nos meios, sem se concentrar na obtenção de resultados palpáveis para a população. Conheço o caso de um governador que passou um mandato tentando melhorar a educação do seu estado investindo em meios: melhorando as salas de aula, instalando ar-condicionado, distribuindo computadores para todos os professores, entre outros. Depois de tudo isso, continuou sendo...

Leia mais

Inocentes, não sabem de nada

Os fatores críticos de sucesso de uma organização são representados nos vértices de um triângulo equilátero, como sendo liderança, conhecimento técnico do negócio e conhecimentos de gestão. A ideia de triângulo visa a demonstrar que os fatores são igualmente importantes, tendo o mesmo peso. De fato, se faltar um deles, a organização certamente não cumprirá seus objetivos. Julgo que a liderança é preponderante, pois o papel de líder é crucial para uma organização. Nossa experiência na implementação de um sistema de gestão em grande número de empresas revela que, sem forte liderança, não se consegue muito progresso. Subalternos resistem a mudanças. Repito, sem liderança pouco acontece. Em muitos casos, deixamos de fazer a consultoria onde não havia liderança inconteste. A condução de projetos nessas circunstâncias seria aceitar, de saída, o fracasso na missão, o que acarretaria desgaste para a nossa empresa. A nossa escola de gestão foi inicialmente a japonesa, em que a noção de responsabilidade e o exercício da liderança são fundamentais para a condução apropriada de uma organização. Os dirigentes assumem obrigações de responder pelas suas ações e as dos outros membros das companhias. Se o resultado é ruim, o presidente se demite. Não busca culpados, é dele o ônus do fracasso. Se acontece um grave acidente, por exemplo, o presidente considera-se responsável pelo fato. Já houve até caso extremo de a pessoa suicidar-se. É incumbência do...

Leia mais

Propostas genéricas e imprecisas

Como será o progresso nos países desenvolvidos daqui a 10 anos, nas áreas de telecomunicações, saúde, por exemplo? Acho que haverá avanços extraordinários. Enquanto isto, estaremos ainda patinando nos temas de educação, saúde, mobilidade urbana, segurança, labutando contra o baixo IDH (79º no mundo), entre outros. Haja vista as propostas genéricas, irreais, imprecisas dos candidatos a presidente da República. Ouviram o galo cantar e não querem saber onde. A melhor maneira de resolver problemas (maus resultados) é conhecê-los em profundidade, determinar os fatores que os ocasionam (causas) e propor um plano de ação para atacá-los. De fato, isso está longe de acontecer, pois sequer conseguem identificar os projetos cruciais capazes de fazer com que o país venha dar um salto de qualidade em indicadores nos quais é deficiente. Além disso, é preciso pensar nos desafios dos próximos anos. De início, para crescer são necessárias reformas. O cipoal tributário precisa ser revisto. Além da carga elevada, grandes empresas despendem somas vultosas para manter equipes dedicadas ao estudo do sistema e suas constantes mudanças. As pequenas, por não disporem de tais equipes, deixam de cumprir obrigações impostas e ficam inadimplentes. A CLT é a principal forma de relacionamento capital-trabalho. Gera distorções, o que acarreta grande número de processos em julgamento (cerca de 8 milhões). A Justiça do Trabalho é paternalista e o empreendedor é visto como vilão, na maioria das vezes....

Leia mais

Afinal, houve a Copa da Fifa

Para amenizar a ameaça de não vai ter Copa, uma rede de televisão (que muito investira para ter os direitos de transmissão) divulgou uma série de reportagens sobre os convocados, entre outras iniciativas. Vindos de classes pobres, com dificuldades quase insanáveis, foram apresentados, em minúcias, como super-heróis. O grande objetivo era motivar-nos a apoiá-los. Ora, a maioria dos brasileiros passa por isso. Se analisarmos a vida de muitas pessoas, veremos que enfrentam condições adversas e também vencem. Ajudam a desenvolver o país, em vários campos, porém não são milionários e endeusados pela mídia. Sobre o fracasso dos brasileiros quase tudo já foi dito. Reafirmo que o resultado foi merecido, por conta (novo modismo da nossa língua) dos preparativos. Jogando em casa, com tantos heróis, o hexa era tido como favas contadas. Assim, dedicaram tempo demasiado para entrevistas, pintar cabelos e posar para comerciais. Só faltou tempo para treinar, traçar estratégias, ensaiar jogadas, estudar os adversários etc. Os poucos treinos foram feitos com presença de público, a ponto de o treinador pedir silêncio em um dos últimos para poder transmitir instruções, se é que as havia. Era o oba, oba, generalizado! Glórias passadas, camisa e entusiasmo não ganham jogo. As seleções candidatas ao título se isolaram, treinaram para valer, analisaram adversários. A seleção alemã dispunha de software, desenvolvido por empresa de ponta, capaz de analisar o desempenho dos jogadores oponentes,...

Leia mais