Autor: José Martins de Godoy

Erros crassos em português (I)

Assistia com interesse à exposição de um consultor do agronegócio, quando ele mencionou que certo fazendeiro interviu num processo (deveria ser interveio)…. Perdi o interesse e ele a credibilidade. Um político relatou: houveram muitas dificuldades para aprovar certa lei (como haver é impessoal, deveria ser houve). Certamente, não será reeleito. A professora Dad Squarisi recomenda: “Risque houveram do seu vocabulário, você nunca vai precisar dele”. Em conversa com uma pessoa, ela disse que minhas ideias iam de encontro às dela. Como estava de cara boa, parecia que concordava. Se, de fato, concordava, deveria ser ao encontro. Um palestrante, bem falante, disse “há muitos anos atrás”. Tirou-me a concentração. Excrecência redundante, como subir para cima ou descer pra baixo.  Deve ser: há muitos anos ou muitos anos atrás.  Advogados gostam de usar protocolizar. Segundo a citada Squarisi: “É filhote de cruz credo”. Prefira protocolar. Nessa linha, sucedem-se   bastantes erros, facilmente reconhecidos por quem tem familiaridade com nosso idioma. Em determinados momentos, surgem modismos. Já foi a vez do a nível de. Está desaparecendo. O gerundismo já foi grande campeão, influência do inglês e telemarketing: vou estar telefonando, vou estar trabalhando são exemplos. Felizmente, está caindo em desuso.  Agora, é enquanto. Dizem: eu, enquanto pessoa… O Brasil, enquanto nação independente…. Há poucos dias, num discurso de agradecimento por um prêmio, o agraciado usou inadequadamente enquanto 12 vezes. Deus me livre! Enquanto...

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É dando que se recebe

Consta que São Francisco de Assis nunca disse a expressão “é dando que se recebe”. Contudo, julgo que, na prática, a expressão prevalece. Conheci, numa grande empresa siderúrgica estatal, um superintendente de recursos humanos, muito dedicado, comprometido, zeloso pelo seu trabalho, que queria fazer o melhor pela empresa. Como sempre acontece em empresas, há competições e mesmo pessoas que gostam de interferir no trabalho de outros, com intuito de aparecer e poder galgar posições superiores. Essa empresa não era exceção. Nas minhas reflexões, pensei: esse superintendente precisa marcar um gol e nós precisamos de um projeto que seja um grande desafio. Rascunhei um pré-projeto e fui discuti-lo com o citado técnico. Disse-lhe: a empresa vai receber tecnologias de ponta e quem vai recebê-las? É um grande desafio, pois há necessidade de pessoas de elevada capacitação.  Proponho que você forme técnicos com o mestrado. Contrate engenheiros agora no fim do ano, mande-os para Belo Horizonte para fazer os créditos e em seguida eles elaboram as teses em temas ligados às novas tecnologias, já trabalhando na usina. Ele aprovou a ideia, apresentou-a ao presidente que o aval para prosseguir. Elaborei um projeto robusto, contemplando inicialmente a formação de 20 mestres, para obtenção de financiamento de uma agência governamental. Aprovados os recursos, estávamos prontos para começar. Mas no Brasil, nem tudo são flores. Tive um colega que dizia que aqui vivemos em...

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10 perguntas para José Martins de Godoy

Há 16 anos apoiando e acompanhando consultorias em gestão no segmento da educação, o professor José Martins de Godoy afirma que o sistema educacional brasileiro precisa trabalhar questões óbvias para melhorar os seus resultados. Não há quem discorde do valor da educação: da formação do caráter à especialização profissional, sem dúvida é um dos pilares de um país que deseja ocupar lugar de destaque no mundo. Valor enaltecido, a realidade nacional não é animadora: em pesquisa realizada pelo Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) em 65 países, o Brasil ocupa o 53º lugar. De acordo com o economista Gustavo Ioschpe, estudioso do tema e membro do conselho do projeto Educar para Crescer, estamos até mesmo regredindo em indicadores como compreensão de texto e repetência na 1ª série do ensino fundamental. Ou seja, vai de mal a pior. Em consonância com estes estudos está a Fundação de Desenvolvimento Gerencial e seu conselheiro, o professor José Martins de Godoy. Com 16 anos apoiando consultoria em gestão na área educacional para mais de 5 mil escolas públicas, ele afirma que é possível, sim, elencar objetivamente onde atuar para que a educação básica e fundamental do país dê frutos que permitam nosso avanço. São 10 pontos que em seu artigo, O óbvio na educação, ele chama de óbvios: infraestrutura e administrativa mínimas, liderança, corpo docente em sala de aula, alunos também, disciplina,...

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O óbvio na educação

A educação no Brasil vai de mal a pior, apesar do que andam afirmando políticos mais interessados em se sustentarem no poder do que enfrentar os problemas reais do setor. Tudo em nossa educação nos parece óbvio, de fácil diagnóstico e de solução, embora demorada, única. Recentemente, a Fundação de Desenvolvimento Gerencial realizou o seu 5º Seminário de Melhores Práticas de Gestão Educacional, quando foram apresentadas e discutidas as experiências de 20 escolas parceiras que implementaram as práticas sugeridas, constantes da nossa estratégia Gestão Integrada da Escola (Gide). Estas escolas são o testemunho de que a gestão para resultados funciona muito bem no ambiente escolar, tanto é que várias delas já alcançaram metas propostas pelo IDEB para 202l. Um dos palestrantes do seminário foi o economista Gustavo Ioschpe, articulista da revista Veja, que apresentou dados e experiências que recolheu em suas inúmeras viagens ao exterior e ao interior do Brasil. São números alarmantes, que comprovam a nossa regressão em indicadores importantes, como repetência na 1ª série do ensino fundamental, capacidade de parte da população em entender um texto simples. Em outros, como a produtividade do trabalhador e competitividade do país são problemas que estão intimamente ligados à educação. Para muitos, a fala de Gustavo Ioschpe foi uma surpresa. Para mim, e para a equipe da fundação, nem tanto. Os números apresentados e as conclusões a partir deles estão em...

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Olhem os ipês floridos

Recentemente, fui a São João del Rei para o funeral de uma pessoa querida. Como acontece nestas circunstâncias, ficamos tristes não só pelo infausto acontecimento como também pela saudade de pais, irmãos, tios que já nos deixaram. No trajeto, a mente volta ao passado revivendo as lembranças, num clima de reflexão e recolhimento entre os viajantes. A natureza é bela e muito inspiradora, destacando montanhas, vales, bosques ainda preservados. Um encanto para quem a curte! Era agosto. Comecei a me distrair vendo os ipês floridos. Ao notar os primeiros foi um encantamento incontido. Ao longo da estrada, para minha surpresa e deleite, vi centenas de árvores, cada uma mais bela que a outra. Árvore é uma maneira de dizer, pois, na realidade, eram verdadeiros sóis espalhados pelos campos. Fiquei meditando: se estou maravilhado com a natureza e com os ipês, como deve ser o Paraíso. Certamente, algo indescritível. Ora, dona Marta, a pessoa querida que iríamos homenagear, orar e recomendá-la a Deus, era uma mulher valorosa, trabalhou incansavelmente durante sua vida, criou uma família maravilhosa, foi dedicada aos seus e ao próximo. Só poderia estar na glória de Deus. Se a nossa crença é a ressurreição dos mortos, não seria possível, para uma pessoa tão especial, ser de outra forma: aproveitar as delícias do Paraíso. Algo tão deslumbrante que não dá para comparar com as belezas vistas ao longo...

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